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Pernambuco

Um ano de Covid-19 em PE: trabalho na linha de frente traz misto de medo e esperança a profissionais de saúde

Mesmo com os equipamentos de proteção individual separando médica e técnica em enfermagem de pacientes, profissionais conseguem criar conexão para salvar internados e relatam mudanças na percepção da vida após assumirem os atuais postos.

Publicada em 12/03/21 às 12:27h - 91 visualizações Rádio Inajá FM

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Mais esperança e coragem fazem de Suennya Brito, em 2021, uma médica diferente de quem era antes da chegada do novo coronavírus. Ao longo dos 12 meses de pandemia em Pernambuco, ela e outros profissionais de saúde lidaram com incontáveis perdas, mas com oportunidades de conexão com pacientes mesmo com rosto e corpo cobertos por equipamentos de proteção individual.

Essa ligação com pacientes também é um feito que a técnica em enfermagem Hosana Peixoto, de 49 anos, tenta alcançar a cada pessoa que chega ao hospital de campanha montado na Rua da Aurora, no Centro do Recife. As duas profissionais não se conhecem, mas compartilham, cada uma a seu modo, as vivências difíceis de um ano trabalhando em meio ao caos provocado pela doença.

Os primeiros casos de Covid-19 foram registrados em Pernambuco quando Suennya terminava a residência. Aos poucos, a expectativa de que os casos seriam leves foi dando lugar à insegurança quando o número de pacientes aumentou exponencialmente.

Trabalhando no antigo Hospital Alfa, na Zona Sul do Recife, e no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Centro, desde os primeiros casos de Covid-19 na cidade, a médica vivenciou uma série de dúvidas em casa e no trabalho.

Médica Suennya Brito trabalha na linha de frente da assistência à Covid-19 desde o início da pandemia em Pernambuco .

"Era muito medo de pegar a doença, medo do desconhecido. O volume de artigos [científicos sobre a doença] que chegava para a gente era massivo. Um artigo chegava, mas horas depois não era mais válido. A gente não conseguia dar conta e os plantões começaram a ficar muito pesados", afirmou.

Uma rotina semelhante foi vivenciada por Hosana. “Meu marido é asmático e cardiopata. Quando o pessoal de casa sai da cozinha, aí é que vou. Fico tentando não ficar tão perto deles. Nunca mais a gente soube o que é se reunir para almoçar no domingo”, contou.

Casada com um médico, Suennya contou que as máscaras, escudos contra a doença nos hospitais, também formavam uma barreira entre pais e filhos na rotina em casa.

"Quando a gente chegava, era mais desgaste. Tinha a dúvida do adoecimento. Como a gente estava muito esgotado, chegávamos com moleza, com dor de cabeça e ficávamos em dúvida. Na época, minha filha tinha 4 anos e meu filho tinha 7 meses", afirmou.

    “Enfrentamos a Covid-19 com a nossa própria vida por amor à profissão que a gente tem. Muitos familiares nos pediram para não ir, mas alguém tem que cuidar deles [pacientes]. Não sabíamos se íamos sobreviver ou não”, contou a técnica em enfermagem Hosana Peixoto.

Entre as experiências mais marcantes em 12 meses de assistência a pacientes infectados pelo novo coronavírus, o primeiro plantão traz as lembranças mais nítidas à mente de Suennya.

"O adoecimento por Covid é diferente de tudo o que a gente imaginava porque o paciente perde o que ele tem de mais importante, que é o apoio familiar. Nesse primeiro plantão, uma paciente de 40 e poucos anos chegou na madrugada e a filha dela não pôde entrar. Ela juntou forças de onde não tinha para gritar 'minha filha, você foi a melhor filha que eu podia ter'. Eu disse a ela para ter calma, enquanto a filha ficou chorando do outro lado", relembrou.

Enquanto tranquilizava a paciente, Suennya ouviu as súplicas para que o pior não acontecesse. Para ela, as lembranças são vívidas a ponto de achar que o plantão ocorreu há poucos dias e não no início da pandemia, em 2020.

    "Eles [pacientes] nem veem a gente. Só veem os olhos, mas muito escondidos. Ela pegou na minha mão e disse 'doutora, eu não sou uma pessoa ruim. Eu tenho quatro netos. Eu só queria viver. Por favor, não me deixe morrer'. Ela foi uma paciente que me marcou tanto que eu pedia informações dela diariamente, mesmo sem ser meu dia no hospital", contou a médica.

No dia seguinte, a paciente foi intubada, ficou em estado grave e não resistiu por não responder às medidas adotadas pela equipe de saúde. "É isso que marca muito a gente. A paciente era jovem, a vida dela era normal antes do vírus. São marcas e feridas que vão ficar para sempre. Salvamos muitos, mas também perdemos muitos", afirmou Suennya.

Já Hosana, trabalhando na enfermaria do hospital de campanha da Rua da Aurora, no Recife, contou que a equipe composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais faz o possível para estabilizar os pacientes e impedir a ida deles à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Quando as pessoas chegam na enfermaria, elas chegam muito assustadas, com muito medo. A gente recebe, coloca no oxigênio e, antes de tirar a roupa dela para colocar a do hospital, eu falo de Deus. Digo ‘você não tem culpa de estar aqui. Culpa é um peso que ninguém merece carregar. Logo, logo você vai sair”, afirmou Hosana.

Além da rotina exaustiva, as duas profissionais compartilham, também, a esperança de que, em algum momento, a pandemia vai acabar. “Acendeu uma esperança no fim do túnel, que é a vacina. Os cientistas estão fazendo sua parte, Deus está fazendo a parte Dele. Temos que fazer junto”, afirmou Hosana.

“Eu tenho muito mais coragem do que o que eu tinha antes. Apesar de tudo, vou levar esperança. Sinto que a gente vai viver dias melhores”, disse Suennya.

G1 PERNAMBUCO.




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