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Repórter relata desafio e processo de largar o cigarro durante a pandemia

Não é justo falar que é luta fácil – quem diz isso está recorrendo a uma falsa superioridade moral. Relação com o cigarro é como amor tóxico (difícil, mas pode ter fim); repórter do G1 conta experiência de ter parar de fumar.

Publicada em 05/04/21 às 11:55h - 61 visualizações Rádio Inajá FM

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O fumante em abstinência é um ansioso desgovernado, mas consciente de uma coisa ou duas, e aqui está uma delas: o pico de ansiedade será desarmado somente por uma tragada, que então restaura a dose de nicotina, e assim o fumante fica plenamente funcional de novo, mas isso só até que o inevitável tombo nos níveis da substância estimule uma leve palpitação (ou variação de humor), num ciclo de retroalimentação sem fim e comparável apenas a uma relação de amor – tóxico. O cigarro cria uma necessidade suprida unicamente por ele próprio.

Parar com o cigarro na pandemia: fumantes e médicos mapeiam estratégias - e obstáculos - para largar o hábito agora

Faltava pouco para a meia-noite de 31 de dezembro de 2020 quando apaguei o meu (até a última atualização desta reportagem) cigarro final, após mais de duas décadas de convívio regular. Estou invicto neste ano. Os efeitos e as demandas psicológicas da pandemia de coronavírus jogam contra: o estado de vigilância e a tensão permanentes são um poderoso incentivador do tabagista no que diz respeito à prática do vício.

Mas o veto a eventos sociais é capaz de reduzir o consumo e de abalar o relacionamento. Não se esqueça de que os fumódromos costumam ter anexos conhecidos como bares ou baladas – e estes, muitas vezes, não são nem marginalmente tão atraentes e vívidos quanto os fumódromos propriamente ditos, por sinal.

Ex-fumantes contam como conseguiram parar de fumar


Mas o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesu, já avisou: fumantes são mais propensos a desenvolver casos graves de Covid-19. Eis um incentivo científico imediato.

Abaixo, algumas observações que de repente podem ser úteis a quem quer se arriscar a dar o passo (leve a sério o conselho do Doutor Dráuzio, que nunca errou: beba muita água). São cinco tópicos:

Amor (literalmente) tóxico
Tim Maia: viver vs. Sobreviver
Fiuk no 'BBB21'
A falsa sensação de superioridade moral
Negacionismo e crise de identidade
1 – Amor (literalmente) tóxico
O cigarro é um amor tóxico.

Termina (ou apaga...) o primeiro, você sente frustração, algum enjoo e abandono. Mas quer repetir e repetir e repetir. No início, por status, transgressão, autodeterminação (enganosa) e um narcisismo que tem muito de masoquismo. No fim, por desapego, tédio, autodesprezo (consciente) e um desespero que tem muito de dependência.

E, então, num dia você acha certo acabar – e espera que tudo depois vai ser diferente. Não vai. O mundo continuará sendo o mesmo da véspera. Demora para você perceber que não estava atrás de desfazer um vínculo com algo exterior. Você precisava era restabelecer uma relação consigo.

2 – Tim Maia: viver vs. sobreviver
"Fiz uma dieta rigorosa: cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas, perdi 14 dias."
O comentário atribuído ao Tim Maia é mesmo engraçado, mas parte de uma premissa bastante clichê: vale a pena, em nome da autopreservação, renunciar ao prazer (partindo do pressuposto de que exista risco de qualquer ordem envolvido)?

Se eu passo a vida inteira me preocupando só (e só mesmo) com a minha saúde e o meu bem-estar – e desviando de cada ameaça, de cada doença, de cada perigo –, será que não perco alguma coisa ou experiência efetivamente legal? Viver é diferente de sobreviver.

É uma dúvida compartilhada por todos nós desde sempre, mas que requer óbvia e nova abordagem com a emergência da pandemia de Covid-19. Porque exercer o próprio cuidado e a própria sobrevivência, afinal de contas, significa cumprir um dever social e fazer um aceno à civilidade: eu me cuido, você se cuida.

É hora de sobreviver e de sobrevivermos. Parar de fumar pode fazer parte disso.

3 – Fiuk no ‘BBB21’
O maior terror do fumante não são aquelas fotos muito gráficas e tenebrosas no verso dos maços: bocas doentes, amputações, cadáveres, fracassos sexuais. O medo maior – e só que já praticou o esporte ou convive com o atleta sabe – é dar de cara com o maço vazio.

O não fumante deita a cabeça no travesseiro e, bem ou mal, está autorizado e apto a pensar em tudo, menos na possibilidade hedionda de azaradamente despertar no meio da noite e não ter tabaco. É o pesadelo.

Quem aqui já viu o Fiuk – competidor do “BBB21” e principal tabagista em atividade neste país – enfileirando meticulosamente seus cigarros num recipiente organizador com a devoção de um artesão diante de suas ferramentas de trabalho? Então...

Nesses termos, os versos do hit romântico “Pareço um menino”, do Fábio Jr., pai do Fiuk, são pedagógicos:

"Você me abraça / E a tristeza vai embora / A dor que existe / Fica da porta pra fora / A gente briga / Mas é coisa que acontece / Logo o coração esquece / Porque a gente se adora"

A gente se adora, pois é. Mas o coração não esquece, não.

4 – A falsa sensação de superioridade moral
Há incontáveis razões que levam alguém a fumar, do contexto social à arquitetura psicológica individual. Mas não há nenhuma, de um ponto de vista puramente científico, para não tentar parar (e deixar o Doutor Dráuzio feliz).

O fumante pode dizer: "Ah, mas eu não quero, estou bem assim com meu cigarro". Aí, não há discussão, pois liberdade antes de tudo e ponto final. Basta não inventar moda de tirar a máscara na rua para ficar baforando fumaça por aí – o negacionismo é danoso em qualquer circunstância (ver item abaixo).

Nenhum ex-fumante é perfeito. Menos ainda aquele que, orgulhoso da vitória sobre o vício (e há motivos para isso, claro), faz observações meio sádicas tipo: "Pra mim, foi fácil, fácil. Amassei o maço, joguei no lixo e falei: 'Cabô!'. Quem não consegue é porque não tem força o suficiente".

Muito bem: biscoitos de nicotina para ele. Invejo o êxito, mas não simpatizo. Ninguém que cultivou o vício e está temporariamente afastado é moralmente superior. É preciso respeitar as vítimas que o cigarro faz anualmente no planeta (8 milhões de pessoas, fora o 1,2 milhão de não fumantes que morrem por causa da exposição passiva à fumaça).

No Brasil e no mundo, o hábito de fumar é mais recorrente entre gente com menor escolaridade e renda. Para a OMS, pobreza e tabagismo compõem um "círculo vicioso". Tripudiar disso, sim, é moralmente condenável.

5 – Negacionismo e crise de identidade
Da minha janela, vejo dois bares irregularmente abertos, com frequentadores aglomerados na calçada e sem máscara. É provável que saibam que está errado. Não é impossível que alguém ali, em algum momento da pandemia, tenha dado corda a um desses falsos milagres sem eficácia científica comprovada.

Mas essas pessoas talvez tenham entregado tanto de si mesmas a pensamentos desatinados, que agora elas não admitem sequer a possibilidade de recuar. A esta altura, seria preciso abandonar a própria identidade – uma identidade que foi sendo construída ao longo de muitos anos. Tem um custo (emocional, psicológico).

O ex-fumante é uma pessoa que largou para trás um pouco da própria identidade. Com a diferença de que o custo é vivido solitariamente. No que me diz respeito, tem valido a pena pagar o preço.

G1 .





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